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Cuiabá MT, Sábado, 15 de Junho de 2019
ARTIGOS
Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019, 09h:51

RENATO NERY

O Ninho do Urubu

Divulgação

Este estranho nome tem um indicativo de tragédia, pois o urubu é uma ave de mau agouro. E uma delas aconteceu neste local, no Centro de Treinamento do Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro, ceifando a vida  de vários adolescentes. 

Tal tragédia é o retrato deste Brasil do descaso e da irresponsabilidade. O Centro de Treinamento não podia funcionar, pois a sua construção foi condenada, por dezenas de vezes, pela Prefeitura, pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e pelo Corpo de Bombeiros.

E mesmo assim, a revelia de todas estas desaprovações, ele funcionava para abrigar incautos e inocentes adolescentes que acalentavam sonhos de destaque e glória, vendo, no prestigiado time de futebol, o passaporte para sair de uma vida de provações. Afinal para estas crianças/adolescente as chances de subirem na vida, neste inóspito torrão, são quase nulas. Sonhos e planos foram roubados criminosamente pela incúria e pelo descaso que os levaram deliberadamente ao cadafalso. 

O Ninho do Urubu é a síntese deste Brasil, onde nada ou quase nada funciona. É a mesma causa de recente tragédia: falta de fiscalização que quando existe não resulta em nada e as tragédias se  repetem  sem apelo e sem perdão.

Fica uma inquietante pergunta: quantos ninhos e quantas outras obras aguardam um desfecho trágico por este Brasil afora? 

O Brasil é o paraíso para se levar vantagem em tudo. Tudo é negociado. O lobista infame e a autoridade corrupta; a institucionalizada arte de tirar direito de quem tem e dá para quem não tem; a advocacia movida a grana e a poderosos  lobbys;  o engenheiro a serviço das  firmas de materiais de construção; o médico refém dos laboratórios, planos de  saúde e fabricantes de remédio; o guarda subornado; as obras bichadas; o funcionário público movido à propina; as  construtoras e OSCIPs a serviço dos políticos; as multas inúteis; os impostos escorchantes; as grandes empresas que não pagam impostos; incentivos fiscais indiscriminados; os empréstimos camaradas e a distância abissal entre o maior e o menor salário. 

E por ai vão os mal feitos e desatinos de toda ordem.  A corrupção permeia a sociedade de cima a baixo, nas mais comezinhas atividades.  Ela somente é condenada quando não favorece quem fala mal dela. 

É por estas e outras que uma dúvida me persegue: quantos são os canalhas e cafajestes, e quantas são as pessoas de bem? 

Enfim, o fiel otimismo que sempre me acompanhou me abandonou. E este perverso pessimismo me segreda: existe saída? 

RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá.


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